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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Bailarina,
És a flor mais bela e a alma mais singela dos jardins do coração
És a inspiração dos músicos
A essência das sinfonias
És a luz que nasce o dia, a abundância da alegria.
Quando se enche dos seus sentimentos, põe-se a dançar
E a cada passo, a cada ponta, se extravasa
E se esvazia de si mesma
Bailarina,
Que mesmo com sua identidade escondida, vê-se que ela é diferente, pois a luz da arte resplandece
E ela contagia a toda cheia de classe da ponta dos pés ao último fio de cabelo
Bailarina,
És uma borboleta com pés de fada
A querida e a amada
Aplaudida e prestigiada
Mas para quê a fama se sua dança é o alívio de sua alma?
Por que mais que ninguém ela sabe viver e dançar e aprender.



Fonte: http://contosdeumalady.blogspot.com.br/2011/04/bailarina.html



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Dança: Poesia de Rinaldo Donizete de Freitas


Em cada passo
percorremos diversos caminhos,
em cada giro
viajamos o mundo,
em cada olhar
transmitimos desejos,
em cada toque
multiplicamos sensações,
em cada queda
transcendemos a emoção,
em cada dança
sonhamos; com os pés no chão.


(Rinaldo Donizete de Freitas)


sábado, 22 de outubro de 2011

Fogo (João Cabral de Melo Neto)

Fogo
(João Cabral de Melo Neto)


Dir-se-ia, quando aparece

dançando por siguiriyas,

que com a imagem do fogo

inteira se identifica.


Todos os gestos do fogo

que então possui dir-se-ia:

gestos das folhas do fogo,

de seu cabelo, sua língua;

gestos do corpo do fogo,

de sua carne em agonia,

carne de fogo, só nervos,

carne toda em carne viva.




Então, o caráter do fogo

nela também se adivinha:

mesmo gosto dos extremos,

de natureza faminta,

gosto de chegar ao fim

do que dele se aproxima,

gosto de chegar-se ao fim,

de atingir a própria cinza.




Porém a imagem do fogo

é num ponto desmentida:

que o fogo não é capaz

como ela é, nas siguiriyas,

de arrancar-se de si mesmo

numa primeira faísca,

nessa que, quando ela quer,

vem e acende-a fibra a fibra,

que somente ela é capaz

de acender-se estando fria,

de incendiar-se com nada,

de incendiar-se sozinha.




Subida ao dorso da dança

(vai carregada ou a carrega?)

é impossível se dizer

se é a cavaleira ou a égua.




Ela tem na sua dança

toda a energia retesa

e todo o nervo de quando

algum cavalo se encrespa.




Isto é: tanto a tensão

de quem vai montado em sela,

de quem monta um animal

e só a custo o debela,

como a tensão do animal

dominado sob a rédea,

que ressente ser mandado

e obedecendo protesta.




Então, como declarar

se ela é égua ou cavaleira:

há uma tal conformidade

entre o que é animal e é ela,

entre a parte que domina

e a parte que se rebela,

entre o que nela cavalga

e o que é cavalgado nela,

que o melhor será dizer

de ambas, cavaleira e égua,

que são de uma mesma coisa

e que um só nervo as inerva,

e que é impossível traçar

nenhuma linha fronteira

entre ela e a montaria:

ela é a égua e a cavaleira.




Quando está taconeando

a cabeça, atenta, inclina,

como se buscasse ouvir

alguma voz indistinta.




Há nessa atenção curvada

muito de telegrafista,

atento para não perder

a mensagem transmitida.




Mas o que faz duvidar

possa ser telegrafia

aquelas respostas que

suas pernas pronunciam

é que a mensagem de quem

lá do outro lado da linha

ela responde tão séria

nos passa despercebida.




Mas depois já não há dúvida:

é mesmo telegrafia:

mesmo que não se perceba

a mensagem recebida,

se vem de um ponto no fundo

do tablado ou de sua vida,

se a linguagem do diálogo

é em código ou ostensiva,

já não cabe duvidar:

deve ser telegrafia:

basta escutar a dicção

tão morse e tão desflorida,

linear, numa só corda,

em ponto e traço, concisa,

a dicção em preto e branco




Ela não pisa na terra

como quem a propicia

para que lhe seja leve

quando se enterre, num dia.




Ela a trata com a dura

e muscular energia

do camponês que cavando

sabe que a terra amacia.




Do camponês de quem tem

sotaque andaluz caipira

e o tornozelo robusto

que mais se planta que pisa.




Assim, em vez dessa ave

assexuada e mofina,

coisa a que parece sempre

aspirar a bailarina,

esta se quer uma árvore

firme na terra, nativa,

que não quer negar a terra

nem, como ave, fugi-la.




Árvore que estima a terra

de que se sabe família

e por isso trata a terra

com tanta dureza íntima.




Mais: que ao se saber da terra

não só na terra se afinca

pelos troncos dessas pernas

fortes, terrenas, maciças,

mas se orgulha de ser terra

e dela se reafirma,

batendo-a enquanto dança,

para vencer quem duvida.




Sua dança sempre acaba

igual como começa,

tal esses livros de iguais

coberta e contra-coberta:

com a mesma posição

como que talhada em pedra:

um momento está estátua,

desafiante, à espera.



Mas se essas duas estátuas

mesma atitude observam,

aquilo que desafiam

parece coisas diversas.




A primeira das estátuas

que ela é, quando começa,

parece desafiar

alguma presença interna

que no fundo dela própria,

fluindo, informe e sem regra,

por sua vez a desafia

a ver quem é que a modela.




Enquanto a estátua final,

por igual que ela pareça,

que ela é, quando um estilo

já impôs à íntima presa,

parece mais desafio

a quem está na assistência,

como para indagar quem

a mesma façanha tenta.




O livro de sua dança

capas iguais o encerram:

com a figura desafiante

de suas estátuas acesas.




Na sua dança se assiste

como ao processo da espiga:

verde, envolvida de palha;

madura, quase despida.




Parece que sua dança

ao ser dançada, à medida

que avança, a vai despojando

da folhagem que a vestia.




Não só da vegetação

de que ela dança vestida

(saias folhudas e crespas

do que no Brasil é chita)

mas também dessa outra flora

a que seus braços dão vida,

densa floresta de gestos

a que dão vida a agonia.




Na verdade, embora tudo

aquilo que ela leva em cima,

embora, de fato, sempre,

continui nela a vesti-la,

parece que vai perdendo

a opacidade que tinha

e, como a palha que seca,

vai aos poucos entreabrindo-a.




Ou então é que essa folhagem

vai ficando impercebida:

porque terminada a dança

embora a roupa persista,

a imagem que a memória

conservará em sua vista

é a espiga, nua e espigada,

rompente e esbelta, em espiga.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Meu sonho dançante



Meu sonho dançante

Aqueço-me, alongo-me, aguardo
Logo a realização chegará
De um sonho branco e dourado
Dentro de mim se acenderá

Enfim chega o momento
"Deus, venha comigo dançar"
Meu coração acelerado no peito
Meu corpo querendo flutuar

Um bem-estar, uma alegria no peito
Um último suspiro liberto na coxia
Sinto em mim bater: Sete... Oito...
Soa o medo e a calmaria

No palco me adentro
Na brisa das notas sou conduzida
Construo um poema com movimentos
De cores, brilho, fantasia sou envolvida

Vai além dos passos decorados
Sentir o que não se pode explicar
Mergulhando no encantado
Giro, salto, sonho, pairo no ar

E ao final do bailar
Entrego novamente meu coração
Diante da platéia ao me curvar
Derramo a minha gratidão

No mundo dos sonhos permaneço
Deixo o palco, com vontade de ficar
Meu corpo necessita de descanso
Mas minha alma nunca para de dançar.
                                          (Carolyne Peluci)
                                          

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Primeira postagem de 2011!

  Férias deveriam ter um sobrenome: Preguiça. Nesses dias de total descompromisso com os estudos e com o trabalho acabei deixando o blog de lado. Mas para dar uma empurradinha nas postagens deste ano, segue aí o grande Fernando Pessoa.


Dever de Sonhar

Eu tenho uma especie de dever,
dever de sonhar ,
De sonhar sempre,
Pois sendo mais do que um espetaculo de mim mesmo ,
eu tenho que ter o melhor espetaculo que posso.
E assim , me construo a ouros e sedas ,
Em salas supostas,
invento palco ,
cenario para viver meu sonho
entre luzes brandas e musicas invesiveis.

(Fernando pessoa)


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Poema da amizade

Poema da Amizade


A amizade torna os fardos mais leves
porque os divide pelo meio.
A amizade intensifica as alegrias,
elevando ao quadrado, na matemática do coração.
A amizade esvazia o sofrimento
porque a simples lembrança do amigo
acalma com jeito de talco na ferida.
A amizade ameniza as tarefas difíceis
porque a gente não as realiza sozinho:
são dois cérebros pensando e quatro braços agindo.
A amizade diminui distâncias.
Embora longe, o amigo é alguém perto de nós.
A amizade enseja confidências redentoras;
problema partilhado, percalço amaciado,
felicidade repartida, ventura acrescida.
A amizade coloca música e
poesia na banalidade do cotidiano.
A amizade é a doce canção da vida
e a poesia da eternidade.
O amigo é a outra metade da gente; o lado claro e melhor.
Sempre que encontramos um amigo,
encontramos um pouco mais de nós mesmos.
O amigo revê, desvenda, conforta.
É uma porta sempre aberta em qualquer situação.
O amigo, na hora certa, é sol ao meio-dia,
estrela na escuridão.
O amigo é bússola e rota no oceano,
porto seguro na tribulação.
O amigo é o milagre do calor humano
que Deus opera num coração.

(Autor desconhecido)

sábado, 11 de dezembro de 2010

A dança e a alma



A dança e a alma

A dança? Não é movimento,
súbito gesto musical
É concentração, num momento,

da humana graça natural.

No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança - não vento nos ramos:
seiva, força, perene estar.

Um estar entre céu e chão,
novo domínio conquistado,
onde busque nossa paixão
libertar-se por todo lado...

Onde a alma possa descrever
suas mais divinas parábolas
sem fugir a forma do ser,
por sobre o mistério das fábulas.

Viola de bolso(1950-1967)
Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Borboleta

       Borboleta
 Borboleteando entre as flores,
 
Obra artística de Deus,
 
Reaparece amarela
 
Borboleta dos sonhos meus.
 
Olhos nos cravos rajados
 
Lânguida, beija as pétalas
 
E, com voos apaixonados,
 
Terna, dança nas simpétalas,           
 Acalentando a esperança.                                 
 (Autor desconhecido)